2015/06/30

Anyways

I’ve cried
before i left you
i died
after i left you
but i have to learn
that all those things
happens anyways

the way it happens
sometimes fucking hurts
and keeps hurting
everyday

decisions
i dont know how
properly take them
in a painless way

with you here
with you there
life goes on
even though we ask to stop
goes on
and on
and on
without you
but i didnt wanted that way

2015/06/29

Aula de dança (Quebrar, cortar, queimar...)

"The memory we seem to share 
replays"


Como e onde foi que me perdi, dessa vez, de vez? Onde e como nos perdemos? Não mais encontro o caminho para as hastes de óculos que repousaram sobre meu criado-mudo. Essa história não teve desfecho nem nunca terá, acredito, enquanto vivermos, mesmo que cidades diferentes e distantes, estaremos presos a esse sonho que mal conseguimos tirar do papel. 
Chego a este momento sem saber quem ela é agora, além de ser a responsável por me fazer perder o ar e ter crises de ansiedade ao vê-la se aproximar por tantas vezes durantes esses anos de convívio, mesmo com a ausência física predominando. “Sometimes I think I see your face in improbable places”. 
Foi na terceira temporada desta série de encontros e desencontros que o drama despertou seu lado mais desgraçado. Errei, e como errei!, as always, mas não sei a data exata em que tudo começou a desmoronar.
Perco-me em pensamentos, em textos, bem como me perdi desde o princípio, quando só havia escuridão e não conseguia enxergá-la - por, até então, desconhecer sua existência; a vida começou a fluir neste oceano e a maré insistia, ainda insiste, em ir e vir sem dar tempo para construir castelos de areia, faróis ou quebra-mares.
Entre inúmeras maneiras possíveis para demonstrar a confusão para demonstrar a confusão na qual me (des)encontro, a mais efetiva é vomitar em folhas de papel de um caderno qualquer toda a ânsia, que me ataca do estômago ao cérebro, enraizada na inconstância de uma viagem cheia de atrasos, conexões, jet lags e o que mais puder causar cansaço, agonia e desmotivação por não chegar “lá” - onde ela estiver, qualquer lugar que não seja minha mente.
Escrevemos, eu e aquela que aparentemente não esta aqui nem aí, um extenso capítulo de nosso romance, possivelmente o mais essencial para se entender que nem tudo é desgraça, mas alguém, suspeito que este que vos escreve, destruiu os manuscritos quanto derrubou uísque ao tentar acender um cigarro com uma só mão enquanto tentava terminar trabalhos da faculdade. Tal desastre não exige julgamento ou explicação prolongada, pois está feito. Restam as consequências, entre elas, como a (falsa) impressão de que um dos corações envolvidos na colisão guarda ódio, rancor e coisas assim, que machucam tanto quem os sente quanto quem os motiva. Não respondo por ela, mas, apenas esclarecendo ao nada, não a odeio.
O fim do capítulo mais recente que esboçamos não bastou, é necessário muito mais para transformar afeto em ódio. [Isto não é uma provocação para tentar superar]
Nossos passos desritmados nesta dança cujas aulas nos ensinaram coisa alguma, causando pisões em nossos próprios pés e esbarroes em outros pares. Foi assim quando, inesperadamente, houve uma troca inesperada de duplas. Ela foi para lá, não me importa com quem, e tentei dançar sozinho por um tempo até relembrar que não consigo. Cair não exige ensaio e se torna um movimento mais fácil quando não há alguém em quem se segurar. Quando se tem um par, um possível problema é quando a outra pessoa se transforma em parte vital de quem dança. Não aconteceu comigo neste caso específico, apenas um devaneio.
Algumas de nossos duplicados musicais, neste último ano, vem se orgulhando bastante de nós, extraindo muito conteúdo para canções. De algum pub em Celbridge, nossas composições migraram para um apartamento no Brooklyn, ainda falando sobre fantasias, despedidas, desencontros, distância etc.
Agarro e abandono sentimentos com a mesma leveza de uma bomba despencando do céu, com a mesma velocidade que um trem corta as artérias de uma cidade, com a mesma intensidade de um beijo na porta de um ônibus, com o mesmo desgosto de deixá-la partir. O ponto de ônibus, os bancos de praça, o desenho dadaísta, as cartas, os silêncios, os souvenires, as memórias… ecoam, voltam cada vez mais fortes gritando “volta”. Já desconheço aquela moça que esteve comigo naquele show há dois anos, não sei quem ela é, se uma só pessoa ou várias. Hoje, desconheço. Parece que não é mais a mesma. Ou nunca foi. Em momentos de delírio, creio que nunca existiu, que nossos momentos juntos constituem uma grande alucinação arquitetada por minha mente ansiosa. Talvez seja doença neurológica, psicológica, anyway, e essa sensação mista de encanto com vontade seja apenas um inchaço em meu cérebro, destruindo-me lentamente. Se sim, demorei alguns anos para perceber. Devo então procurar tratamento ou aceitar e conviver até ser corroído por inteiro. Cheguei até aqui, vivo, pode ser que minha imunidade não deixe a patologia se espalhar ou esse sentimento tenha se apossado completamente de meu corpo, manipulado a impressão de que estou vivo. Analogia digna de causar na moça dos óculos embaçados naquela noite de quinta-feira a repulsa, o ódio e tudo o que ela ainda não sente por mim. Sou desastroso, queria dizer uma coisa, tentar convencê-la com mais um rascunho que ainda a quero, mas escrevo o oposto. Não sei mais. Não sei se peço desculpas ou mais uma chance. Talvez essa alucinação tenha causado a ilusão de passagem do tempo, parecendo que vivo neste afogamento há anos, havendo a chance de, na verdade, eu ainda estar sentando naquele banco de praça encarando o casarão vermelho, sonhando acordado, esperando.

2015/06/01

Sem título I - III


Acordei. Eu ainda estava ali em meu quarto. Ele… Também. Inspirava com certa intensidade e expirava na mesma medida. Ainda estava comigo. E eu também ainda estava com ele, estaria mesmo se em continentes diferentes, separados por algum oceano maior que a gente.
Enquanto tentava me lembrar de mínimos detalhes de meu sonho, uma situação envolvendo intolerância à lactose e um reality show gastronômico, levantei, fui ao banheiro lavar minha cara e, em seguida, à cozinha esquentar água pro meu café e pro chá dele. A água fervia e eu lia uma matéria sobre fragmentação literária, um assunto que, desde que entrei na vida de ler em média quatro livros por mês, me interessava bastante, mesmo sem saber que havia um termo técnico para descrevê-lo. Não que eu fosse afim da teorização disso tudo, mas gostava desse tipo de história que, pra mim, reflete sinceramente como eu mesma e, creio, muita gente relata suas vivências, deixando alguns detalhes de fora e abrindo parênteses repentinos. Preferia infinitas vezes uma história podada, aos pedaços, Bonsai, por exemplo, do que um romance naturalista, o que seja, como Inocência. Li o primeiro com toda a vontade do mundo, ao contrário do outro, que me tomou dois meses de vida. Nada contra, principalmente a respeito da escrita, que não é péssima, mas, não, não tinha paciência. Quem me ouve falando isso, pensa que não me interesso por livros com mais de cem páginas, mas é só olhar para minhas estantes e encontrar obras como Guerra e Paz, O Tempo Perdido, e a maior ironia para quem diz não gostar de coisas do período cujas descrições de um pequeno quarto ocupam cinco páginas, A Comédia Humana - por mais que esses textos balzaquianos migrassem entre Romantismo e o Realismo. Quem sou eu para ter autoridade sobre teoria literária? Ninguém. Apenas uma pessoa que trabalha há cinco anos num sebo. No mesmo instante em que a chaleira começou a apitar, o gato surgiu de seu reino de trevas pedindo atenção. Deixei o jornal de lado, desliguei o fogão e servi comida para o felino, que ignorou o café da manhã para deslizar entre minhas pernas. Fiz meu café e tentei decidir o que fazer na hora que tinha para matar até o horário de sair para o trabalho. Poderia acordar a pedra em minha cama para não comer sozinha, mas, como era sábado, seu raro dia de folga, melhor que ele ficasse hibernando até a primavera chegar. Após dar umas beliscadas em seu pote de ração, o animal novamente despareceu. Retomei minha leitura, tomando café e comendo o resto de sanduíche que havia feito e abandonado noite passada.

...

2015/05/30

Sem título I - II


- Você quer ficar aqui? - Guiei minha mão a fim de encontrar a sua, apertei-a, com todo o carinho que havia em mim, não era pouco, e continuei - Porque não te obrigo a ficar, nunca obriguei, e não precisa me esperar dormir. Seria mais fácil, com certeza, e também um ato muito covarde. Não que eu não queira te ver mais, ainda é cedo pra querer te ver partir, pra te odiar, não! Apenas não, não agora nem quando eu acordar e te ver roncando do meu lado. Mas não sou apenas eu que decido, você… - Neste momento, senti sua respiração ofegante se intensificar, deixei de apertar sua mão e procurei seu rosto, que esboçava um sorriso. - Você quer sumir ou continuar aqui?
- Quero! Quero ficar aqui roncando enquanto você me chuta enquanto sonha que briga sem forças nem mira com alguém que você desconhece. Sei que nossa usina hidrelétrica ainda tem muita força, até transborda de tanta água.
- Não tenho medo de afogar nesse lago sem fundo… - E me joguei sobre seu corpo inofensivo num abraço demorado.Por mais que gostássemos desses diálogos cheios de figuras de linguagem, as músicas enfim já nos rendia ao conforto do silêncio. Mesmo que na escuridão, mesmo que ele não conseguisse me enxergar, sorri. Logo caí para meu lado da cama e comecei a me afundar em uma sonolência pesadamente confortável. Superheroes of BMX começou e a última coisa que me lembro desta noite foi um beijo atingindo minha testa e um “boa noite” que interpretei como um código para entrar no salão onde Morfeu e Hipnos realizavam seus encantos.

2015/05/28

Sem título I - I

Quando dormíamos juntos, era habito ouvirmos musica até o sono nos derrubar. Numa dessas noites, em meu quarto escuro, entoando canções para evocar Morfeu, ele trocou, com meu consentimento, de uma música recém iniciada para a próxima, em busca de uma aleatória mais hipnotizante. A luz do celular permanecia ligada, iluminando nossos rostos cansados - mas ainda assim profundamente apaixonados. Acariciou lentamente, com as costas de seu indicador, a cicatriz da minha boca, aproximou seu rosto do meu, trazendo seu calor constante, e nos beijamos rapida e delicadamente. De volta a seu travesseiro, que era meu, mas a posse poderia ser reavaliada devido ao seu cheiro impregnado, encarava-me, sério, reflexivo, enquanto a luz insistente ainda me prendia ao olhar daquele que ali, ainda suado, interrompeu o silêncio: 
- O amor, o nosso amor, é igual essa luz, apaga, acaba, mas, ao contrário do celular, não tem como a gente programar com precisão quanto tempo isso tudo, a gente, vai durar. - A luz já havia dado lugar ao escuro logo no início do monologo, mas demorei a perceber por estar presa ao que ele falava. - Talvez demore muito tempo, num tempo que em que minha calvície já tiver invadido minha cabeça, ou talvez você acorde daqui algumas horas e eu já não esteja mais aqui.
Calou-se, como se procurasse mais palavras, mas, como o conhecia há tanto tempo, sabia o que esse silêncio significava, emudeceu tempo suficiente para me dar voz, e perguntei:
- Você quer ficar aqui? - Guiei minha mão a fim de encontrar a sua, apertei-a, com todo o carinho que havia em mim, não era pouco, e continuei: