Teu cheiro
no meu cheiro
eu quero sentir
eu quero ter
eu quero ressentir
eu quero reter
eu quero
eu quero mais
e não quero esquecer
e não quero perder
2011/02/19
Distração
Vivemos para nos distrair, pois sabemos que vamos morrer.
Viver é distrair-se da morte. Você sabe que vai morrer, então vive pra se distrair. Vive pra passar o tempo. Vive esperando a morte. Você nasce pra morrer.
Mas até chegar este momento tão misteriosamente desconhecido, a morte, você deve e precisa e necessita viver. Viva. Intensamente. Loucamente. Incoerentemente. Com convicção. Com responsabilidade; ou sem, às vezes. Com amor. Com liberdade. Com pressa. Com lentidão. Com respeito. Com lembranças. Com vitórias. Com derrotas. Com porradas. Com carinhos. Com tudo. Com nada. Com explicações. Com ...
Viver é distrair-se da morte. Você sabe que vai morrer, então vive pra se distrair. Vive pra passar o tempo. Vive esperando a morte. Você nasce pra morrer.
Mas até chegar este momento tão misteriosamente desconhecido, a morte, você deve e precisa e necessita viver. Viva. Intensamente. Loucamente. Incoerentemente. Com convicção. Com responsabilidade; ou sem, às vezes. Com amor. Com liberdade. Com pressa. Com lentidão. Com respeito. Com lembranças. Com vitórias. Com derrotas. Com porradas. Com carinhos. Com tudo. Com nada. Com explicações. Com ...
2010/12/14
Admiração (Aquele Hermético Recíproco)
Alberto era, felizmente, o cara mais, despropositalmente, lindo e fofo do meu mundo. Diz coisas que, sem querer, são tão bonitas e cativantes. Qualquer garota amaria tê-lo ao seu lado dizendo aquelas graças mas esse privilégio era meu somente.
Sem dinheiro, disléxico, desempregado, tímido, calado, inteiramente meu; cheio de roupas sujas, velhas e rasgadas: esse é apenas um conjunto dentre 280000 definições daquele garoto tão...
Conhecê-mo-nos no dia treze de Abril. Segundo ele, já andava me observando há tempos; porém foi nesse dia que ele finalmente, felizmente, decidira se apresentar a mim. Pra quem não sabe, treze de Abril é o "dia do beijo".
Declarou seu amor platônico, sem sequer me tocar, focando meus olhos; expondo seus convincentes argumentos. E seus principais "defeitos": teimosia, orgulho, ser mimado, possessivo e "quando tem algo não larga desse algo até enjoar". Era lindo vê-lo gesticulando como se apossava de algo, puxando-o para si e apertando contra seu peito e dizendo: "eu quero, é meu, meu, só meu, não largo!". Esclareceu, também, que se o sentimento fosse recíproco ele não abandonaria o romance como quando enjoava de um brinquedo qualquer. A cada palavra solta por este garoto-poeta-tão-apaixonante eu me tornava cada vez mais confusa pois me estava vivendo um romance; conturbado era, confesso, mas era um romance. A cada palavra solta ele assassinava cada vez mais meu sentimento pelo outro rapaz. Ele matou um romance que não era dele e foi melhor pra nós. Como Alberto mesmo descreveu ser um "defeito" seu, foi teimoso até eu me tornar inteiramente sua. Defeito? Se não fosse por isso eu estaria, talvez, frustrada por ter continuado naquele romance que Alberto assassinou com a minha permissão; estaria, talvez, decepcionada por estar com alguém que não era pra mim. "A vida é feita de escolhas e eu não poderia ter escolhido caminho melhor que o teu," Alberto.
Ahr! E como eu sou feliz por ter ouvido aquele garoto tão, expressivamente, confuso, disléxico, convincente e, naquele dia, desconhecido. Ainda é um desconhecido, conheço-o pouco mais a cada dia que se passa desde que daquele dia 13 e quero morrer sem ter conhecido todo aquele ser hermético que chamo, com todo o prazer e toda a convicção, de "meu".
Ahr! Ele é tão folgado (óbvio, após ter conquistado toda confiança, liberdade, carinho, respeito e reciprocidade) ao ponto de não me chamar de "Alice", me chamar de "Ei,..." e prosseguir com o que quer dizer.
Ahr! Como eu adoro esse garoto brincalhão, que no dia treze de Abril disse que se fosse um daqueles caras galinhas, ao invés de ter se declarado sinceramente, teria dito "E aí, gata, tá a fim de comemorar o dia do beijo comigo?"
Ahr! Como era bom ter "liberdade pra poder falar sobre o que se sente e o que já foi sentido" não só entre nós mas no passado também, com outras pessoas. Alguns outros casais tem liberdade apenas sobre uma cama no escuro pra mostrar suas genitálias a(o) parceira(o). Liberdade é, além disso e muito mais, como conversar com espelho: dizer o que quiser sem ter vergonha, sem moderar as palavras. Mas, claro, com respeito.
Em treze de março eu queria acreditar que em algum lugar dessa cidade alguém procurava por mim, assim como eu procurava por alguém. Alguém que procurasse alguém para ser "a sua garota". Eu procurava reciprocidade, alguém para ser "o meu garoto". Pensava que o "garoto decente" apenas existisse nos romances de livraria ou naquelas fotos do Tumblr. Mas de onde viria a inspiração para criar esses romances e essas fotos? Da vida real! Mesmo que pareça utopia, encontrar o seu alguém decente, não é. Utopia é ganhar na mega-sena, é Os Simpsons, é implantar o Socialismo em nosso país; é descer do ônibus, em Curitiba, às seis da tarde sem ser atropelado por quem embarca.
Tem louco pra tudo! Por mais estranho(a) que você seja. Ele me fez acreditar nisso. É como ele mesmo diz: "Para se conquistar algo necessário é preciso 'Acreditar (nesse algo necessário) e Batalhar.'" Acredite e batalhe. Pode demorar três dias, três anos ou uma década, calma, tua hora vai chegar.
Alberto me fez acreditar nele e no amor e batalhar pela felicidade. Graças a nós, eu vivo e é recíproco.
Sem ele não há eu, sem eu não há ele.
Somos nós "ao infinito e além!"
Sem dinheiro, disléxico, desempregado, tímido, calado, inteiramente meu; cheio de roupas sujas, velhas e rasgadas: esse é apenas um conjunto dentre 280000 definições daquele garoto tão...
Conhecê-mo-nos no dia treze de Abril. Segundo ele, já andava me observando há tempos; porém foi nesse dia que ele finalmente, felizmente, decidira se apresentar a mim. Pra quem não sabe, treze de Abril é o "dia do beijo".
Declarou seu amor platônico, sem sequer me tocar, focando meus olhos; expondo seus convincentes argumentos. E seus principais "defeitos": teimosia, orgulho, ser mimado, possessivo e "quando tem algo não larga desse algo até enjoar". Era lindo vê-lo gesticulando como se apossava de algo, puxando-o para si e apertando contra seu peito e dizendo: "eu quero, é meu, meu, só meu, não largo!". Esclareceu, também, que se o sentimento fosse recíproco ele não abandonaria o romance como quando enjoava de um brinquedo qualquer. A cada palavra solta por este garoto-poeta-tão-apaixonante eu me tornava cada vez mais confusa pois me estava vivendo um romance; conturbado era, confesso, mas era um romance. A cada palavra solta ele assassinava cada vez mais meu sentimento pelo outro rapaz. Ele matou um romance que não era dele e foi melhor pra nós. Como Alberto mesmo descreveu ser um "defeito" seu, foi teimoso até eu me tornar inteiramente sua. Defeito? Se não fosse por isso eu estaria, talvez, frustrada por ter continuado naquele romance que Alberto assassinou com a minha permissão; estaria, talvez, decepcionada por estar com alguém que não era pra mim. "A vida é feita de escolhas e eu não poderia ter escolhido caminho melhor que o teu," Alberto.
Ahr! E como eu sou feliz por ter ouvido aquele garoto tão, expressivamente, confuso, disléxico, convincente e, naquele dia, desconhecido. Ainda é um desconhecido, conheço-o pouco mais a cada dia que se passa desde que daquele dia 13 e quero morrer sem ter conhecido todo aquele ser hermético que chamo, com todo o prazer e toda a convicção, de "meu".
Ahr! Ele é tão folgado (óbvio, após ter conquistado toda confiança, liberdade, carinho, respeito e reciprocidade) ao ponto de não me chamar de "Alice", me chamar de "Ei,..." e prosseguir com o que quer dizer.
Ahr! Como eu adoro esse garoto brincalhão, que no dia treze de Abril disse que se fosse um daqueles caras galinhas, ao invés de ter se declarado sinceramente, teria dito "E aí, gata, tá a fim de comemorar o dia do beijo comigo?"
Ahr! Como era bom ter "liberdade pra poder falar sobre o que se sente e o que já foi sentido" não só entre nós mas no passado também, com outras pessoas. Alguns outros casais tem liberdade apenas sobre uma cama no escuro pra mostrar suas genitálias a(o) parceira(o). Liberdade é, além disso e muito mais, como conversar com espelho: dizer o que quiser sem ter vergonha, sem moderar as palavras. Mas, claro, com respeito.
Em treze de março eu queria acreditar que em algum lugar dessa cidade alguém procurava por mim, assim como eu procurava por alguém. Alguém que procurasse alguém para ser "a sua garota". Eu procurava reciprocidade, alguém para ser "o meu garoto". Pensava que o "garoto decente" apenas existisse nos romances de livraria ou naquelas fotos do Tumblr. Mas de onde viria a inspiração para criar esses romances e essas fotos? Da vida real! Mesmo que pareça utopia, encontrar o seu alguém decente, não é. Utopia é ganhar na mega-sena, é Os Simpsons, é implantar o Socialismo em nosso país; é descer do ônibus, em Curitiba, às seis da tarde sem ser atropelado por quem embarca.
Tem louco pra tudo! Por mais estranho(a) que você seja. Ele me fez acreditar nisso. É como ele mesmo diz: "Para se conquistar algo necessário é preciso 'Acreditar (nesse algo necessário) e Batalhar.'" Acredite e batalhe. Pode demorar três dias, três anos ou uma década, calma, tua hora vai chegar.
Alberto me fez acreditar nele e no amor e batalhar pela felicidade. Graças a nós, eu vivo e é recíproco.
Sem ele não há eu, sem eu não há ele.
Somos nós "ao infinito e além!"
2010/10/21
O que há...?
Onisciente é aquele que não precisa descobrir coisas novas, que não quer saber mais, pois tem ciência de tudo.
Alberto não pretendia nem precisava ter onisciência do mundo, precisava apenas conhecer mais e mais sua mulher, suas carências e felicidades. Para isso, era necessário estar com ela, conhecê-la e precisar dela, mais.
Tudo era meio confuso. Alberto havia deitado em sua cama vazia há algum tempo, e pra dormir era preciso ficar vagando por inúmeros pensamentos, planos e teorias. Ainda mais quando sua mulher estava longe: dormindo na casa de sua mãe, de onde não podia dormir fora até adquirir poder e independência para morar sozinha ou com Alberto.
Para Alberto, desde o início, aquela relação surgiu diferentemente das outras: malditas ilusões, relações não-recíprocas. Para Alice, no começo, parecia diferente mas, mesmo assim, ela temia que fosse apenas mais um grande erro. Para alegria de ambos; além de ser real, era recíproco e sincero.
Ele fez de tudo para provar que não estava enganando a si mesmo. Ele batalhou para convencê-la de que ele era o cara certo; aquele que a faria bem, que estaria ao seu lado em qualquer momento. Angústia, tristeza, raiva, alegria, sonho, sono. Ele precisava que fosse recíproco.
Ela exigia mais convicção de si mesma. Ela lutou contra seus traumas e pesadelos para estar certa de que ele era quem ela queria mesmo. Ela precisava de um abrigo, que a confortasse nas tempestades indesejáveis de coisas desagradáveis. Ela exigia que fosse recíproco.
Eles queriam mais. Overdoses, risos, sorrisos, abraços, carinhos, consolos, conforto, certeza, reciprocidade. Eles queriam, podiam e precisavam de mais.
Sem sono e sozinho, Alberto gostava de deitar-se para poder: arquitetar novas maneiras de conquistar sua mulher, pensar nas alternativas que tinha pra vivências futuras, refletir sobre o que fez de bom ou mau pra si e sua mulher, e para tentar entender o que estava vivendo. Era uma chuva em sua mente; palavras, fatos, atos, fotos, frases, certezas, medos etc.
Era um tormento para Alberto tentar dormir sem Alice, sabendo que ela está longe. Mas era só ele olhar pela janela, avistar a Lua e relembrar que eles não estão tão distantes. Estavam sobre o mesmo céu. Sobre o mesmo luar, que os fazia sorrir e lembrar das noites de lua cheia e céu estrelado que passaram juntos.
Ainda eram crianças. Ainda não tinham o poder de fazer tudo, tudo, o que desejassem. Ainda eram subordinados à seus pais. Ainda tinham medo da sair da casa de seus pais. Embora almejassem muito a liberdade de estarem juntos, morarem juntos. Ambos, porém, temiam que a rotina de um casal que mora sob o mesmo teto pudesse destruir o sentimento que os mantia juntos; que o convívio exagerado pudesse fazê-los enjoar, enojar, um do outro. Mas eles adorariam conviver, dormir na mesma cama, dividir o mesmo quarto etc.
O mundo e seus habitantes planejam muitos conluios para separar pessoas. Alice e Alberto sabiam disso. E faziam de tudo para que as armações do universo não os derrubasse, não os distanciasse. E se algo os derrubasse, seria por vontade deles mesmos.
Quando uma pessoa tem uma vontade incontrolável ela pode fazer coisas erradas. Se essa pessoa tem vontade de ter outra pessoa, ela encarna seus instintos primitivos e apela ao indesejável para conquistar, mesmo sem consentimento, a outra. Alberto tinha medo de que algum ameba (sem ofensa aos micro parasitas) abusasse de Alice, por ela ser tão pequena. Aliás, essa grande qualidade, a altura, o fazia sentir-se obrigado a abrigá-la em seus braços.
Pois é, Alberto viajava intensamente em seus pensamentos pré-sono. Muito do que pensava, e do que dizia às paredes, não tinha coesão nem coerência. Ao se desentender consigo mesmo, ria sozinho de sua loucura. Que em partes, era proporcionada pela grande felicidade que Alice o fazia sentir.
Desde o início, ele disse para Alice e ao mundo que aquele sentimento não parecia real, que parecia um sonho. Mas ele não queria que fosse um sonho. Queria acreditar cada vez mais no ditado “tem louco pra tudo”. Ele era incapaz, antes de Alice surgir em sua vida, de acreditar que encontraria alguém decente que fosse capaz de fazê-lo bem, de fazê-lo acreditar que sonhar não era em vão.
Antes de Alice, em seus tempos obscuros, ele insistia em gritar pra si mesmo que deveria acreditar que haveria alguém e , quando surgisse, batalharia por esse alguém, caso tivesse certeza.
E, depois da morte, Alice é a maior certeza que Alberto tem.
O que há com Alberto para ele não querer outra? O que há com ele para precisar tanto dessa pequena? O que há com Alice para querer tanto viver com Alberto? O que há com ela para querer realizar seus sonhos com ele? O que há...?
Ora, eu, mero narrador, não sei nem quero saber, não é meu assunto. Eles que se virem pra descobrir. Isso se eles quiserem. Ficar pensando muito no que os faz ficarem juntos é desperdiçar o tempo que podem gastar vivendo.
Alberto gostava de ficar viajando. Mas preferia, sempre, estar com sua mulher. Já que isso não era possível ele viajava. Mas dizia pras paredes e pra si mesmo: Minha cama está vazia mas é por pouco tempo. Minha vida está cheia de Alice e é pra sempre.
Enfim, ele dormiu. Não sonhou.
Afinal, pra que sonhar enquanto dorme se ao acordar ele viverá tudo aquilo que sonhou antes de conhecer sua mulher?
“Bom dia...” O despertador tocou, Alberto despertou, sorriu e cantou mentalmente:
-“É um ótimo dia para estar vivo, é como se eu pudesse respirar pela primeira vez. Estou realmente vivo”
Ele tinha ciência que, ao despertar, sua mulher diria o mesmo e “wish you were here...”
2010/09/30
Concretismo
GADRO, GADRO...
resolvi experimentar uma desconhecida DROGA
mesmo antes usando OUTRAs
não passaram DE ilusões destruidoras
foi PRECISO coragem para
NÃO dar espaço à dor
Bagunçado Concretista Poema Primeiro 5X5
Estar Longe Do Que Preciso
E com que saudade aguento
Gostar de você eu quero
Só você precisa é poder
Necessidade fome tenho de tudo
resolvi experimentar uma desconhecida DROGA
mesmo antes usando OUTRAs
não passaram DE ilusões destruidoras
foi PRECISO coragem para
NÃO dar espaço à dor
Bagunçado Concretista Poema Primeiro 5X5
Estar Longe Do Que Preciso
E com que saudade aguento
Gostar de você eu quero
Só você precisa é poder
Necessidade fome tenho de tudo
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