2010/07/07

O seguidor - Exclusivamente particular

"...just hold me tight.
Lay by my side
and let me be the one..."
The Used - Smother me



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-Bonita sua namorada. Alias, acho que a conheço de algum lugar.
-...Ah, ela me disse que vocês já ficaram.
-Não, sai fora, sou hetero!
- Tô de brinques!


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-Oi, Alice. O que faremos no sábado a noite?
-Oi. Puts, não sei. Alguma ideia?
-Sim, um pessoal me chamou para uma outra festa. Estou afim, vamos?
-Uau, pode ser... Te ligo depois, vou entrar na aula agora. Beijo, Alberto.



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 A rotina era o unico problema no relacionamento de Alberto e Alice. Ainda mais para ele, que estava estudando intensamente, em ano de pré-vestibular. Ela, apesar de ser mais nova que ele, já era universitária. A unica preocupação da família dele, era que ela pudesse atrapalhar seus estudos, mas ele não teve culpa de conhecer a garota no mesmo ano de vestibular. Eram suas duas únicas prioridades, externamente, a principal era o vestibular, mas internamente, ela dominava seu ser.
No meio de semana, eles se encontravam poucas vezes, por pouco tempo, pela rotina de estudos que ambos seguiam. O fim de semana era intenso, overdose. Exceto pelo sábado a tarde, quando ele tinha aulas de revisão. Mas depois da aula, era Alice até a madrugada de segunda, quando ele a trocava pela rotina.
Geralmente, eles ficavam pelo centro da cidade, bebendo, conversando e observando as pessoas e o céu. Raramente, eles iam a alguma festa, bar ou show. 
Não era a intenção de Alberto fazer amigos no Cursinho, mas a necessidade de comunicação e distração o aproximaram de algumas pessoas. Ali ele tinha poucos amigos, como sempre foi. E como sempre ele se aproximava de pessoas com gostos e interesses semelhantes. Num dia qualquer, uma amiga o convidou para uma festa. Ele foi, junto com Alice. Lá, eles ficaram isolados do povo. Na segunda-feira, seus colegas comentaram sobre sua garota. "-Que bonito vocês dois no canto, conversando." "- Vocês combinam.".".. acho que a conheço...". Na mesma semana, a mesma amiga o convidou para outra festa. No mesmo dia ele informou Alice sobre a festa. Depois de mais uma semana cansativa, o sábado chegou.
Já era de praxe Alice esperar Alberto na saída de sua aula. Desta vez, o casal precisava esperar uma galera para irem juntos à festa.
 O Colégio foi o ponto-de-encontro da galera. Enquanto alguns ainda não chegavam, Bertô apresentava Lice aos colegas.

Era a segunda semana em que eles iriam a um festa cujo organizador é colega de Alberto. Na semana passada, eles foram numa junina feita por Norah. Em qualquer festa, Alberto e Alice preferiam ficar isolados, no canto, conversando, tanto que ninguém a conhecia e ele não teve a capacidade de apresentá-la   aos seus colegas.
Na segunda-feira, fora novamente convidado para outra festa, e Norah,que estava na festa passada, comentou para Alberto que acreditava conhecer Alice de algum lugar.
Enquanto o povo restante não chegava, Norah comentou:
- Alice, esse teu namorado é um palhaço! Disse pra ele que você era muito bonita e que achei que te conhecia de algum lugar,-Alberto encarou Norah como se a ordenasse parar de falar- e ele bem assim: "Ah, ela me disse que vocês já ficaram.", mas tipo, eu ri, porque eu sou hétero e tenho nojo de lésbicas.

O que ninguém, além de Alberto, sabia era que Alice fora fortemente apaixonada por uma garota, antes de conhecê-lo. E ele foi o responsável por fazê-la esquecer aquele maldito platonismo corrosivo. E Alice odiava citações homossexuais. Ela tinha péssimas lembranças do tempo de ilusão e auto-mutilação. Ela não podia ouvir qualquer coisa relacionando seu nome ao homossexualismo
Alberto dizia muitas coisas sem pensar, sem querer ofender, mas algumas vezes magova alguém, e se arrependia depois. Ele tentava controlar essa patologia, mas era do subconsciente, era impulso, era desproposital. Alice sabia disso, desde o início tentou viver com essa doença dele. Mas às vezes ele se superava, e ela se machucava. Foi o que aconteceu neste sábado.

Alberto estava sem reação após ouvir Norah. Ele não achou que sua colega contaria sobre sua brincadeira da segunda-feira. Ele não imaginava que Alice saberia da brincadeira.
Norah percebeu que havia feito cagada, e se calou.
Alice preferiu pensar, calada, numa reação, que não piorasse ainda mais sua situação, e de Alberto. Ele errou, mas não era por isso que ela deveria agir inconscientemente e errar por vingança. Sua opção foi virar as costas e começar a andar, calada, sozinha, em direção a sua casa.
Alberto também preferiu pensar; entre ficar ali e correr atrás, preferiu seguir Alice. Antes, encarou Norah e a mandou à merda. Então, ele correu.

Albertou correu até Alice. Ela apressou o passo, ele imitou. Ela estava indo pra casa, ele iria onde fosse para se explicar e pedir perdão. Ele iria onde ela fosse, em qualquer situação.
Ambos calados, pensando no que dizer.
Como penitência, ela mantinha silêncio. Porque ele sabia que era errado fazer aquele tipo de brincadeira.
Já era noite. Ela tinha medo de andar sozinha a noite, então aceitou sem dizer a presença de Alberto.
Ele pensava, e pensava, e quanto mais pensava, mais confuso ficava, e menos sabia o que dizer. Sabia apenas, tinha certeza, que seguiria sua garota onde ela fosse.
Eles não eram de brigar. Quando havia um desentendimento, conversavam depois de pensar no fato.
Eles não tinham o que conversar, Alberto deveria se explicar, perdir perdão mais uma vez e convecê-la de que, mesmo com a infantilidade, ela deveria ficar com ele; segundo as promessas: pra sempre.
Ela morava longe, a trinta minutos de onde estavam e precisava tomar um ônibus para chegar em casa. Quanto mais próximo o ponto d'ônibus ficava, mais ela acelerava o passo. Alberto foi seguindo.
Ele sabia que já havia errado bastante. Ele sabia que precisava mudar. Ele sabia que ela poderia dar um fim no romance. Ele sabia, principalmente, que não conseguiria mais viver sem tê-la ao seu lado. Ele sabia que era recíproco. Mas ele sabia que ninguém é obrigado a tolerar suas babaquices.
Finalmente, chegaram ao ponto, que estava vazio. Alberto havia pensado no que dizer, pelo menos em como começar a dizer:
- Olha, eu não quero dizer as mesmas coisas que digo toda vez que faço algo errado! Você não quer falar, tudo bem, concordo, mas você ainda têm ouvidos, então, me escute, mesmo que eu trave dizendo verdades que me machuquem...
O ônibus chegou, ela entrou. Ele, sem convite, entrou também. Ele continuou:
-Porra, Alice, porra! Tu sabes que eu ajo desse jeito com todos, amigos, familiares, desconhecidos e você. Sabe que é um sério problema mental que eu tenho. Sabe que é sem pensar. Sabe... Nunca é minha intenção te magoar. Quando você está longe, pra evitar que pense besteiras, eu começo a brincar, me distrair, e nunca é minha intenção te fazer lembrar daquele passado maldito...
"Nós já tentamos destruir esse meu defeito, lembra? Mas nós descubrimos que ele não morre, ele só pode ser controlado. Pouco me importo com qualquer outro, mas com você é diferente... sempre foi, desde o início. Foi diferente na conquista, na convicção, no primeiro beijo, em tudo! Por favor, seja diferente e me perdooe, mais uma vez. Não me ignore. Eu sei que eu sou um idiota, eu sei que eu errei, eu sei que eu digo as mesmas coisas quando erro. E você sabe que é um problema incontrolável. E eu sei que eu não deveria ter brincado sobre aquele assunto, mas você sabe que eu apelo a qualquer coisa pra fazer alguem rir. Você sabe, eu sou um palhaço natural e desproposital... Escute tudo, continue me ignorando, e quando quiser falar, estarei ao teu lado pra te ouvir..."
E ele prosseguiu com seu sermão, ela prosseguiu com seu silêncio, a hora de descer do ônibus chegava.
Ela desceu, ele seguiu. A rua era escura, Lice estava com medo, mas disfarçava, ele não se importava, acompanhava o silêncio observando seu maior vício andar e ignorá-lo.

Desde que entenderam que estavam realmente dependentes, fisica e mentalmente, um do outro, começaram a brincar, que ambos eram drogas, e ambos estavam viciados em suas drogas, drogas exclusivamente particulares. Às vezes as drogas causavam alguns danos, mas era tolerável, nada que impedisse uma nova overdose.
Cinco quadras de caminhada e eles, enfim, chegaram a casa de Alice. Alberto, que ainda não conhecia, se impressionou com o tamanho e a beleza da casa. Ainda era cedo, 20h, então Alice não se preocupou em tocar a campanhia, da própria casa. Ela não tinha as chaves de sua casa. Uma voz atendeu, liberou o portão, e antes de Alice entrar, ela pronunciou:
- Na minha casa você não entra!
Não era nem pelo erro, Alberto não entrava na casa de Alice pelo simples fato de sua família ainda desconhecê-lo. A mãe e os irmãos de Alice não sabiam da existência de Alberto, nem da importância que ele tinha na vida dela.
Ela entrou, bateu o portão, atravessou o jardim, abriu a porta da casa, entrou e bateu a porta. Alberto ficou ali fora, sem reação.
Por um segundo, ele teve vontade de partir e esperar que ela ligasse; mas não, ele não andou inútilmente para chegar até ali. Em pé, em frente ao portão, ficou ali, sozinho.
Alice deu "oi" à sua família, que estava na sala, fantasiou uma dor de cabeça, e foi para seu quarto. Se trancou.

Num intervalo de pensamentos, Alberto disse ao escuro:
- Pra piorar, poderia estar chovendo.
Não era intenção dele, mas funcionou como um prece. O céu, que não estava tão limpo, começou a se fechar. Nuvens surgiram do nada. Em instantes a chuva nasceu, intensa: como o romance de Alberto e Alice.
Alberto ignorou, continuou ali, sozinho. Depois de um tempo, a chuva passou, Alberto, inteiramente molhado, olhou as horas: 00:00
Ele achava uma besteira  de que: quando alguém vê que horas e minutos estão iguais, alguém está pensando  nesse alguém que viu as horas. Mas ele respeitava quem acreditva nisso, acreditava em Alice.
Ela era aficionado pela brincadeira, e acabou deixando Alberto esperto. Quando ele olhava o relógio, e o fato acontecia, ele lembrava de Alice, que era viciada nessa brincadeira.
Ele esperava que o "00:00" não tivesse sido em vão.
Ele lembrou de uma música, de uma das bandas favoritas de Alice, que dizia: "Não, não, eu não vou desistir assim..." Teimoso e persistente que era, disse à si mesmo:
-Eu só saio daqui quando ela implorar...

Alice, não estava pensando nele, estava relembrando os bons momentos e tentanto se reanimar com as lembranças boas.Não fazia ideia que seu garoto estava na rua, sozinho, esperando quem prolongava sua vida.
Alberto salvou Alice, como ela salvou ele da depressão e da vadiagem. Ela chegou em sua vida para estabilizá-la e pô-la de volta num rumo. Ele precisava de garantias que a mantivessem em seus braços. Começou a estudar.

A rua era escura, mas tranquila e livre de perigos. Perguntem se Alberto importava: Não, ele não se importava.
Uma das coisas que ele dizia que mais apaixonava e confortava Alice, era "Pergunta se eu me importo." Qualquer defeito irrelevante era destruído pelo jeito doce e compreensível de Alberto. Ele não se importava com defeito físicos ou materiais. Ele se importava em cuidar de Alice, em fazê-la feliz, em deixá-la viva. Se importava com Alice e com quem pudesse alegrá-la ou machucá-la. Motivo para se importar consigo mesmo.

Ele já ignorava as horas, mas não conseguia ignorar a dor que dominou suas pernas e seu pulmão.
A casa em sua frente começou a movimentar-se, um zumbido surgiu em seus ouvidos, o coração exigia mais ar para funcionar, o ar não obedecia, o escuro ficou mais escuro, o chão ficou mais próximo. Alberto desmaiou.

Alice pensava que Alberto já havia partido, tanto que estava esperando que ele desse um "oi" em qualquer rede social que participava. Mas ele não aparecia. Cansada, ela escolheu uma série de músicas e aumentou o volume. Ficou lá, deitada, sozinha, cantando, até adormecer.

Alberto foi recuperando seus sentidos. Primeiro, o pensamento. Depois, a voz, que fracamente pediu por Alice. Quando recuperou o tato, percebeu que onde estava deitado não era maisa calçada onde havia caído, era bem mais confortável. Enfim, voltou a visão.
Não estava mais na rua, era um quarto. Um quarto desconhecido em que a decoração se aparentava muito com o quarto de sua vó, mas não era pela cama de solteiro onde estava deitado. Ele simplesmente não sabia onde estava, e não encontrava uma pista que o respondesse.
Suas pernas e seu pulmão ainda doíam. Deitado, cansado, prefiriu ficar ali, quieto, agurdando a resolução do mistério: Que lugar é esse?
Ele ouvia um barulho, mas não sabia distinguir o significado nem a origem.
Pensando em Alice, se assustou quando a porta abriu. Entrou no quarto uma senhora dizendo:
- Como você está?
Alberto, meio com vergonha, questionou:
-Mas que lugar é esse? Quem é você?
-Meu quarto. Bernadette é meu nome.
Esse nome não lhe era estranho, ele já ouvira várias vezes mas não lembrava de quem... Alice, foi ela quem citou esse nome. Ele lembrou:
- Você... Não!... Você é a mãe da Alice!

Era ela mesma. Ela e seu outro filho, Caio, recolheram Alberto para sua casa, sem noticiar sua filha. Ela já conhecia indiretamente Alberto:
- Calma! Nem toda sogra é bruxa. Até mesmo porque toda sogra é mãe. Tua mãe é sogra, portanto não tenha ódio de sogras... Enfim, eu sei que você é o Alberto, o garoto que namora minha  filha, sem minha autorização... Mas fique tranquilo, a internet é incrível, me ajudou a descobrir esse romance sem sequer minha filha saber...
Era certo que ele ficaria pasmo ao saber disso. Mas lembrou da filha de Bernadette:
- E onde Alice está?
-No quarto dela, trancafiada, no escuro, com suas músicas.
- Que horas são? Quanto tempo eu fiquei desacordado?
- Já passou das três horas. Bom, quando eu e meu filho te recolhemos já passava da uma hora.
-Caramba... Não sei nem o que dizer.
-Não precisa. Se quiser dormir mais, durma.
-Não! Eu quero ver Alice!
-Bom, se você conseguir entrar no quarto dela... eu autorizo o namoro de vocês.

Quatro meses, e a mãe de Alice nem sabia. Como se fizesse diferença.

Alberto tentou levantar, mas uma tontura o fez sentar. Acalmou-se e perguntou a recém-conhecida sogra:
-Onde é o quarto dela?
- Vem comigo...

O som era aterrorizante, a porta estava trancada. Bernadette pediu silêncio. Alberto fez sinal de "tudo bem". A sogra foi embora. Ele se aproximou da porta. Reconheceu a música, era uma que ele odiava mas Alice amava.
Ficou em pé, em frente a porta, pensando no que fazer.
O nível de ódio da música seguinte aumentou, e foi crescendo, sucessivamente.
Ele sentou, na parede oposta à porta, de fronte a porta.
Um silêncio enfim surgiu. Alberto conseguia ouvir lágrimas vindas do quarto. Óbvio que eram de Alice. Ele sentiu vontade de chorar, pelos erros que a motivaram a chorar.
O silêncio deu lugar à calmaria de uma canção. A favorita do casal. Instantes após o início, a porta se abriu.
Alice, em lágrimas, permaneceu muda. Alberto, acompanhando a música, declamou:
- "...just hold me tight. Lay by my side and let me be the one..."
Alice atravessou o corredor, sentou-se ao lado de Alberto, deixou que os braços dele a envolvessem, e permaneceu muda.
Alberto, que não conseguia chorar por motivo qualquer, abraçou Alice fortemente, como se gritasse: "Eu sou o único, você não tem escapatória. Você é minha, tanto quanto eu sou teu."
Alice, brincando com os dedos de Alberto, como sempre fazia, disse calmamente:
-Porra, Alberto... - e deixou ser levada por Hipnos.
Alberto, perdoado, sentiu-se vivo mais uma vez, e acompanhou sua mulher na incrível jornado do sono.

Os dois ficaram ali, no corredor escuro, juntos, viciados,  até que a vida os chamasse para sair.

2010/04/22

Impedimento

Era um feriado no meio da semana, e Alberto aproveitou para assistir o show de um artista de que há muito tempo não assistia.
Antes do espetáculo, ele estava sozinho, quando encontrou ao acaso um grupo de antigos amigos. Decidiu ficar com eles, para fugir da solidão e das tentações.
Toda a poesia cantada pelo artista, um de seus favoritos, o fazia viajar mentalmente, mesmo estando em um lugar onde refletir era difícil; pelo simples fato de estar lotado de pessoas, suor e luzes.
Apesar de um grande pesar, Alberto aproveitava o show. Cantava as musicas que possuíam algum significado para ele, observava atentamente todo o talento dos musicistas, se encantava com o talento poético do cantor...
Mas nos intervalos entre as músicas, ele olhava para seu peito, pegava seu cordão, lembrava de quem o havia dado, e entristecia.

Aquele cordão, Alberto ganhara de sua namorada, Alice, e significava muito para ele.
Ela, não pode ir àquele show, pois precisou viajar de imediato para o interior catarinense visitar um parente adoentado. Deixando Alberto sozinho e desmotivado.
O relacionamento dos dois começou depois de um show, onde Aberto vendeu o ingresso de um amigo, que não pode ir, a Alice. Na mesma noite começaram a conversar e perceberam grandes interesses e ideias em comum. Nos dias seguintes, encontraram-se para conversar mais e mais. Quando perceberam, já eram dependentes químicos um do outro. Fazendo assim que nascesse um grande romance. Onde não havia apenas amor, mas também, respeito, confiança, liberdade...
Alice salvou a vida de Alberto que, antes de conhecê-la, era um garoto perdido e atormentado pela luxúria.
Ele era tão viciado nela que nenhuma garota roubava sua atenção. Nenhuma. Pode ser clichê, mas: ele só tinha olhos para Alice.
Alberto não era bonito, mas possuía boas roupas e ideias claras, que tornavam sua feiúra invisível.
Alice era linda, mas não era só isso que fazia Alberto amá-la.

Aquele show estava super-lotado, mas Alberto só se importava em ouvir as versões ao vivo de músicas que o agradavam em qualquer momento, de paz ou tristeza.
Quando foi anunciado que o show chegava à suas últimas músicas, o local começou a esvaziar, possibilitando que Alberto pudesse ver pessoas que antes não podia ver. Foi numa dessas, que ele viu algém que o fez voltar no tempo. Nos tempos em que Alice era desconhecida, e qualquer garota o atraía.

Heloísa, estava lá. Heloísa, a grande paixão carnal de Alberto da vida pré-Alice.
Os dois tiveram um caso movido apenas por atração física.
Não havia qualquer conversa ideológica entre os dois. Apenas um desejo carnal nunca satisfeito. Eles tinham a necessidade de se tocaram, mas só isso. Conheciam-se pouco, ideologicamente. Mas conheciam muito bem o corpo um do outro.
Quando separados, sentiam a necessidade extrema de sentirem a pele do outro. Quando juntos, nunca estavam satifeitos.
Eles não assumiram um namoro. Até mesmo porque é impossível existir romance movido apenas pelo desejo carnal. Mas eles não ficavam com outras pessoas. Os dois se desejavam, mas não se entendiam.
Se encontrvam sempre, shopping nos dias de semana, qualquer show aos sábados e domingos.
Até que, um dia Heloísa viajou à França para fazer um intercambio. Albertou soube disso através de amigos. E decepcionou-se por não saber pela boca de Heloísa, que sumiu sem avisar.

Meses depois, Alberto, já não lembrava de Helóisa, e conheceu Alice, que transformou sua vida, de indecente para real. Ele sentia-se vivo pela primeira vez na vida.
Sentia dores quando longe de Alice. Tinha batimento cardíaco acelerado quando encontrva Alice. Sentia.
Já nem sabia mais quem era Heloísa, nem lembrava de toda aquela paixão ardente que viveu com ela.

Heloísa estava ali, a cerca de cinco metros dele.
Tocava uma música que o fez lembrar de muitos momentos vividos ao lado de Heloísa.
Com seus olhos fixados naquela, que havia mudado, Alberto já ignorava qualquer coisa que o rodeava, até mesmo a Música. Ele não parava de olhar para ela. Era como se a visse pela primeira vez. Era como se ela fosse desconhecida. Era como se fosse paixão a primeira vista. Era como se Alice não existisse.
Até que Heloísa encontra os olhos de Alberto a mirando intensamente, e logo disfarça. Olhando para o palco, não deixa de soltar um olhar apreensivo e surpreso. Cutuca uma amiga, e comenta qualquer coisa no ouvido da amiga. A amiga olha para Alberto e se assusta. A amiga puxa Heloísa, como se quisesse fugir. Mas Heloísa não quer. Olha mais uma vez para Alberto, solta um sorriso tímido, e logo disfarça, olhando para o palco.
Heloísa mudara muito desde o último encontro com Alberto, mais de dois anos antes daquele reencontro. Alberto estava encantado com aquele novo estilo de Heloísa. Um tanto quanto Francesa. Mas fisicamente, ela mudara pouco. Ela tinha o mesmo olhar, inocente, que fizera Alberto se encantar, e querer a todo instante aquela moça.
Sua vontade naquele momento, era ir ao encontro de Heloísa e dizer tudo o que sentisse vontade.
Todo aquele fervor que sentia, voltara. Queria agarrar, beijar, tocar, sentir o suor daquela moça. Mas algo o impedia.
Ele pouco se importava com os sentimento de Heloísa. Ele queria, ele desejava, ele necessitava, tocar aquela moça. Tocar seus lábios nos lábios daquela moça. Mas algo o impedia.
Aquele encantador olhar não havia mudado. A fome de Alberto aumentava a cada instante; ele precisava ter em seus braços aquela moça. Mas algo o impedia.
Ele percebia que ela também necessitava tê-lo entorno de seus pequenos braços.
Aquela baixa estatura não mudara. Aumentando vontade de carregar aquela moça aonde o vento levasse. Mas algo o impedia.
Ele estava disposto a ir até a moça e dominá-la como nos tempos antigos. Mas, por impulso do subconsciente, ele agarrou seu cordão. E, qualquer toque ao cordão, fazia que a imagem de Alice aparecesse à sua mente.
Imediatamente arrependido, Alberto parou de observar Heloísa, e focou-se nas luzes do palco, que o cegavam, como penitência. Alberto lembrou de quem não deveria ter esquecido. Alberto não parava de tentar lembrar dos sorrisos de Alice. Alberto precisava de um abraço, que só Alice sabia dar. Alberto necessitava da presença de Alice.

O show acabou. Alberto despediu-se dos amigos e partiu. Foi para sua própria casa, que ficava à poucas quadras de onde o show ocorrera. Alberto foi correndo, como se fosse ao encontro de Alice. Alberto correu, desejando esquecer aquela moça do show. Esqueceu, quando quase foi atropelado por um táxi. Esqueceu, quando chegou em casa. Esqueceu, quando ligou seu rádio e dormiu ao som da música que amava ouvir ao lado de Alice. Dormiu, como se esivesse com Alice.

Acordou, com o barulho de seu celular. Era Alice ligando. Atendeu, e lembrou que aquela voz no outro lado da linha, era o que o motivava a viver. Ela estava chegando na cidade.

Sem preocupações ou lembranças ruins. Alberto correu ao encontro de Alice

2010/04/18

Deitar e amar... (Parte DOIS)

Estávamos lá, deitados. E quietos. Estávamos lá, felizes por estarmos juntos, de verdade, dispostos a recuperar o tempo perdido, e o amor que não conhecíamos há um bom tempo.
Estávamos lá, quietos. Eu estava feliz só por saber que ela queria recuperar nosso amor. A felicidade era tanta, que minha boca não tinha o que dizer.
Até que ela disse:
-No que você está pensando?
Respondi com toda minha sinceridade:
-Ah, meu estômago está doendo. Penso em chegar em casa e fazer uma macarronada, só para mim.
-Então vá! Eu fico aqui, tentando paquerar um qualquer que passar por aqui.
Sempre precisava de um tempinho para responder toda aquela sua agressividade irônica:
-Quando eu digo: "para mim". Quero dizer para nós! Porque você já faz parte de mim. Sabe, você é um orgão meu. Sem você, anemia, falta de ar e cegueira, me atingem facilmente. Sabe, dependo de você para viver...
Enquanto dizia tudo aquilo. Deitado, olhava para o céu, e gesticulava intensamente com as mãos. Até que percebi um suspiro, indecifrável. Olhei para aquela garota que estava ao meu lado, e me emocionei com a emoção que seus olhos que me olhavam.
Tenho dificuldade para chorar. Mas naquele momento, minha única vontade era imitar o gesto daquela garota que me deixava encantado a qualquer momento, tanto no felizes quanto nos tristes.
Em qualquer momento, eu sentia necessidade de estar ao lado de Melina. Mas ela andava um tanto quanto distante. O que era ruim para nós dois. Eu precisava de seu sorriso, precisava de suas palavras. Mas ela andava quieta, como se não existisse um cara que dependesse totalmente dela para viver.
Nos encarávamos, intensamente. Depois daquele meu "sermão", e a reação de Melina, não tinha forças para continuar a falar. Depois de algumas lágrima soltas, alguém precisava limpar seu rosto. E essa função era minha, sempre foi.
Com a manga de minha camiseta, sequei as lágrimas. E ela, com um sorriso simples, o mesmo que me conquistou há cinco anos, agarrou minha mão, e disse:
-E o que eu respondo depois disso?
Confortado com toda aquela mágica, respondi:
-Nada!
Apertei mais ainda a sua mão. E envolvi aquele pequenho e magro corpe entre meus braços. Para que ela tivesse certeza de que eu estava ali, com ela. E ficamos lá, deitados e abraçados, em silêncio.
Meu coração batia rapidamente, impossibilitando que palavras se formassem em minha boca. Mesmo com riscos de ter uma parada respiratória, ou cardíaca, não me importava. Pois não existe modo melhor de morrer do que estar ao lado de quem se ama.
Sentindo sua respiração e seu corpo, começei a viajar entre as nuvens. Não conseguia refletir sobre coisa alguma, só me concentrava em contar as batidas daquele coração, que estava próximo ao meu.
Silêncio, entre nós. As crainças gritavam atrás de bolas e cachorros latindo. Os passáros migravam pelo parque. Rodas de skates e bicicletas arranhavam a ciclovia. Mas tudo isso, não me importava.
Sentia a cabeça de Melina, subir e descer, com os movimentos da minha respiração. Pensei em para de respirar, só para meu peito não a encomodasse tanto. Mas morto, talvez eu não poderia ficar com ela, cuidando dela.
Fechei meus olhos, me concentrava na respiração de Melina, e toda aquela calma que sua presença me causava. O branco das nuvens aparecia, mesmo eu estando com os olhos fechados. Fiquei assim: nuvens, Melina, nuvens, Melina...
A anestesia era tanta que o tempo parecia não passar, mas toda aquela agitação do parque foi sumindo. Mas não me importava. Até que senti uma pequena pancada na costela.
Abri meus olhos, assustado. Com medo de que houvesse algo de errado com Melina.
O que vi foi um Guarda Municipal, nos encarando. Com autoridade, ele perguntou:
-O que estão fazendo aqui? O parquejá está vazio.
Enquanto ele perguntava, olhei para meu outro lado, me certificando de que Melina estava bem. Estava bem, coçando os olhos, depois de dormir, por não sei quanto tempo. Esqueci da pergunta do Guarda, só queria ficar aquele rosto sonolento acordar. Lembrei da pergunta, e respondi:
-Nossa, nós deitamos aqui e dormimos, perdemos a hora!
Melina, olhou para o  Guarda e disse:
-Ei, Guarda Belo, nós podemos dormir por aqui?
Melina adorava arranjar apelido para conhecidos recentes. Com medo de que o Guarda
surtasse, me levantei, puxei Melina, e falei:
-Desculpa, seu Guarda, nós já estamos indo, só precisamos...
Precisaríamos de nossas bicicletas para voltar para casa. Mas as mesmas, não se encontravam no local. Surtei:
- CARAMBA! Onde estão as bicicletas!!?
O Guarda, com toda a calma do mundo, anunciou:
-Calma, garoto. Eu as recolhi, e guardei na central de informações.
Confuso, perguntei, como autoridade:
-Por que?
- Você prefiria que alguem marginal as roubasse? Melhor que elas ficassem guardadas, em segurança. Venham comigo, entrego as bicicletas, e vocês podem ir embora.
Fomos, pegamos nossas bikes, agradeçemos ao Guarda. E partimos.
Andando, fomos indo, com nossas bicicletas ao lado.
Já escurecia. E sim, nós dormimos o dia todo no Parque. Foma era uma coisa que me dominava.
Mesmo que não tenhamos conversado sobre nosso relacionamento, e a terrível fase que havíamos passado. Aquele dia no parque foi incrível, calmo e simples. Bem a cara de Melina.

2010/03/08

Deitar e amar... (Parte UM)

Já se passava das quatro da manhã, e eu já não sabia o que fazer ou para onde ir. Todo aquele tédio já não era benéfico. Estava há mais de cinco horas deitado assistindo à maratona de um seriado de humor clichê que não era mais tão divertido. Pensava em um meio de me entreter ou esquecer todos os problemas que me enforcavam. Não encontrava resposta alguma para solucionar minha dor.
Deitado em uma cama tão grande, estava totalmente vazio. Nenhum livro, filme ou musica me animava. O que poderia me alegrar parecia estar tão longe, parecia ter um preço a ser pago, parecia não ser para mim.
Depois de um tempo mudei de canal, mesmo sabendo que não encontraria nada decente. Começou a Santa Missa, e isso me motivou a desligar a tv e tentar dormir.
Pensei que Melina estivesse morta, mas então, depois de horas, ela disse:
- E então, Rafael, vai ficar deitado aí ou aceitar minhas desculpas?
- Desculpas, do que?
Finalmente, lembrei o que estava faltando em mim. Ela era há muito tempo o que me mantinha vivo, mas atualmente nos distanciamos, mesmo dormindo na mesma cama, tudo graças àquele maldito curso de teatro que fazia lavagem cerebral nos alunos. Mel foi vitima, e esqueceu de viver, esqueceu de mim. E eu, solitário, esqueci de viver. Continuou ela:
- Sei lá... Por ter abandonado esse amor tão forte que sinto por você.
- Não sei... Acho que ambos desistiram desse romance por um tempo.
- Ah, eu comecei com aquele maldito curso e abandonei tudo. E como, já diz a canção, "o comodismo é um mal parasitário", acho que te passei um pouco dessa minha desmotivação.
- E você quer recuperar todo o tempo perdido?
- Agora!
- Mas são seis horas da manhã de domingo!
- Bom, pelo menos já tem onibus circulando, podemos andar por aí.
- Hum... Vamos esperar o mercado abrir, comprar coisas e fazer um pique-nique no São Lourenço.
Levantei, abri a cortina e me assustei com o belo nascer do sol. Melina já estava sentada, resolvi sentar ao seu lado. Ficamos calados até que ela exclamou:
- O mercado não abre aos domingos!
- Eita... Será que as nossas bicicletas estão úteis ainda?
- Já sei, pegamos as bicicletas e saímos pela cidade até encontrarmos um lugar bacana para sentar e conversar.
- Boa, mas poxa, já estou há horas aqui deitado e sem comer. Preciso comer alguma coisa, nem que seja uma bolacha.
Não sei como encontramos motivação para sair, pois estavamos há horas deitados mas sem dormir.
- Na minha bolsa tem um pacote.
- Beleza, mas antes vou tomar banho.
- Que mané, banho! Vamos assim mesmo! Queremos recuperar nosso amor, não queremos paquerar ninguém, nem conseguir emprego. Afinal, é domingo, e alias, adoro esse teu pijama.
- Tá bom, mas antes...
- Cale a boca!
- Ok, então... sem energético para nós.
- Opa! Aí você apela para o vício! Pega lá algumas latas, e vamos logo.
- Já vou, mas antes...
- Ah, chega!
- Não quer um beijo? Tá bom...
- Sem problemas, eu tenho o dia inteiro para te roubar um.
- Isso se você conseguir me alcançar!
Corri, como nos velhos tempos. Uma criança correndo rumo a felicidade. E eu não sabia que desde pequeno eu estaria destinado a viver com uma garota que, não tinha roupas de marca, não tinha carro, não tinha dinheiro, não tinha vícios além de "Rafael", tinha apenas um coração que me conquistava todo dia, mas apesar disso andava distante. Porem, tenho certeza que daqui pra frente, se tornará uma necessidade fisiológica. Se me perguntassem o porquê de eu gostar ela, só responderia: porque ela gosta de mim, e ela gosta de mim porque eu gosto dela, eu gosto dela porque ela gosta de mim... Enfim, é um ciclo, confuso. Looping após looping.
Fui até a cozinha pegar uns energéticos e doces, nossos vícios. Apesar de nossa vida ter um aspecto "vagabundo", nós não bebíamos, não fumávamos, não injetávamos, não... Resumindo, não usávamos drogas. Nunca experimentei e nunca tive vontade, já sou "louco" demais. Lina, tomava remédios para dormir e para depressão. Problemas que, milagrosamente, sumiram de sua vida quando me conheceu e veio morar comigo.
Melina gritou do "quartinho" querendo que eu pegasse minha bicicleta e saíssemos logo. Partimos sem rumo certo.
Fomos dançando entre as ruas da cidade, observando as placas de pontos turístico, e procurando algum que nos atraísse bastante. Jardim Botânico, Praça do Japão, Parque Barigui, Praça 29 de Março, Bosque João Paulo II... Nenhum destes foi escolhido, eu queria Parque São Lourenço, mas Melina insistiu e insistiu no Parque Tanguá. Então, para lá fomos.
Depois horas para chegar ao parque e encontrar um lugar tranquilo, finalmente chegamos e encontramos um recanto ao pé da colina. Largamos nossas bikes ao chão, e deitamo-nos.

2010/02/28

Furacão (Incompleto)

-... Seja! Ame! Mude! Como bem entender!
Estava lá, eu, cantando e sentado ao lado de minha nova conhecida Sílvia, ouvindo, depois de um louco acontecimento, em seu mp3 as músicas da banda que havia terminado, há pouco mais de uma hora, um dos shows mais intensos de minha vida.

Era a primeira que vez que saia com o carro que havia comprado recentemente, após muito empenho, e já consegui me dar mal. Estacionei-o no estacionamento ao lado do bar, sem saber que fecharia bem antes do show acabar. Resultado: meu carro ficou preso lá, me deixando sem meio de transporte para voltar pra casa. Já que não existia onibus madrugueiro para meu bairro. Só me restava ficar por lá e esperar o estacionamento abrir. O bar foi esvaziando, havia alguns bêbados, e eu, sem ideia do que fazer. Enfim, o lugar precisava fechar, então saí, caminhei uns dez passos para a direita e sentei me encostando no muro do estacionamento, quando avistei há uns dez metros à esquerda da porta do bar, uma garota sentada no meio-fio, sozinha, aparentando ter frio.
Era primavera, mas naquela noite a temperatura da cidada estava incrivelmente baixa. Gentil que sou, fui até ela oferecer ajuda:
- Oi, é... Tá sozinha? Precisa de ajuda?
- Oi... Você é algum estuprador, sequestrador ou assaltante?
- Ha... Não! Sou vegetariano, solteiro e auto-sustentável.
- Que?
- Nada... Sério, precisa de ajuda?
Sentei ao seu lado e fiquei tonto com tanta beleza. Cabelo negro e olhos castanhos nada normais. Calei-me, só observava. Depois de uma longa transe, ela me interrompe e pergunta:
- E aí, gostou do show?
- Como você sabe que eu esyava no show? - Perguntei na sinceridade, pois não tinha visto ser tão bonito lá dentro.
-Ah, eu te vi lá, pulando com todas as musicas.
- Poxa, foi incrível. Nunca antes assisti à um show tão potente e emocionante. Foi o melhor da minha vida... E você, gostou?
- Bom, faltaram algumas musicas, mas as que eles tocaram são muito boas, e são muito diferentes das versões do cd.
- Pois é, eles piram ao vivo.
- E você está fazendo o que aqui ainda?
- Haha, meu carro ficou nesse estacionamento aqui, e eu não tenho como voltar para casa. E você, esperando alguém?
- Estava, mas acho que o alcoólatra do meu irmão esqueceu de mim.
- Uau... E agora?
- Ha, não faço ideia. Acho que vou ficar aqui, na esperança de não ser assaltada ou coisa do tipo, até amanhecer e ir caminhando até minha casa.
- Posso ficar aqui com você até lá. - Na inocência, perguntei, mas ela me olhou estranhamente, pensando que eu tivesse segundas intenções. Bem, não tinnha segundas, tinha terceiras, quartas, infinitas intenções com tão bela garota.
- Se não for pedir demais, sim. Preciso de companhia pois tenho medo da madrugada curitibana e seus crimes. E mais, gostei de você, parece ser simpático.
Imitei o pinguim de "Madagascar":
- Você não viu nada!
- Ui, que misterioso.
- He... Então, conte-me mais sobre você.
...
Depois de um prazeroso bate-papo sobre nós e nossas paixões, Sílvia pegou seu "tocador de musicas" e o ligou no "modo aleatório". Começamos a filosofar sobre uma musica chamada "O mito do insubstituível". E depois de um longo silêncio, após a musica acabar e o aparelho ser desligado, ela disse:
- Quer saber? Cansei!
- Por que?
- Cansei de me iludir com vagabundos. Concluí que é melhor eu atar um relacionamento com um desconhecido e construir e fortificar um amor. Sabe, tipo, arquitetar uma vida à dois que funcione e tal... - E ela foi falando e falando, enquanto observava seus grossos lábios, me surgia uma vontade louca de beijá-la, até que o inesperado acontece... Ela me agarra e me beija fortemente, como se quem fosse o homem ali fosse ela.
Silêncio, ambos não tinham o que falar após o ocorrido. Na verdade, não tínhamos folego para pensar em algo. Até que ela liga novamente seu mp3 e escolhe uma musica. Caí na real, percebo que Melina fez me crescer um sentimento forte nunca antes sentido. Não queria mais largar daquela garota. De repente uma grande alegria me domina.
Ouvi com atenção a primeira parte. Quando o refrão chegou, explodi:
-... Seja! Ame! Mude! Como bem entender!